
Acalmei. Acalmei, acalmei.
Depois da tempestade, vem a calmaria. O céu ainda está nebuloso e acinzentado, mas aqui nas minhas águas, a razão volta a se banhar.
Antes a correnteza era tanta que nem mesmo eu me salvava. Principalmente eu. A tempestade me afogava, asfixiava...
Passou o pior. Vc sente isso? Chegue mais perto. Entre na praia... vc sente o cheiro de maresia mansa? Olha como a areia está leve. Antes ela era areia movediça, engolia tudo e todos que quisessem chegar perto.
Entra um pouco mais no mar, ele está tão morno! Vc nota que a maré está baixa? Que o Sol tem que disputar com a Lua pelo controle?
Se vc for mais fundo, pro mar aberto, eu posso jurar que lá estará tudo calmo, deserto. O tufão já passou, morreu, esgotou. Agora só sobrou a calmaria.
A ressaca pode começar a qualquer momento, mas o que importa é esse momento racional. O que importa é que começou a chuviscar, finalmente o Sol perdeu seu poder sobre o mar, e se pôs no horizonte da minha alma. Se ele vai nascer de novo amanhã, eu não sei. Aqui não é ciclo natural. Se é eclipse, não sei te explicar também.. Eu estava de olhos fechados, tudo ocorreu com rapidez e intensidade incríveis!
E faz diferença? O que importa é que o Sol sumiu, oras!
O que eu quero mesmo é aproveitar essa razão, essa escuridão fria e molhada, mas de forma alguma triste!
A noite é calma, fácil. O dia, sim, é difícil. Sorte que acabou o verão aqui na minha alma, começou o outono e nela não tem aquecimento global algum...! (eu espero). Os dias ensolarados vão ficar desaparecidos por enquanto.
O meu medo é que da mesma forma que não há aquecimento global, pode não haver nada!, regularidade alguma! Não existe uma previsão do que vai ocorrer...
O melhor a fazer é aproveitar essa noite chuvosa...