
Vou-me embora para Pasárgada
Lá sou rei
Lá tenho a alma que quero
No corpo que escolherei
Vou-me embora para Pasárgada
Vou-me embora para Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que nem as leis da Física
Inconvenientes e repreendoras
Vêm a ser impedimento
Para a liberdade que nunca tive
E como terei saúde
Andarei de bicicleta
Fumarei
(e terei cura para o câncer de pulmão)
Livrar-me-ei dos meus males interiores
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar meu amor
Pra me contar histórias
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem felicidade em qualquer lugar
Tem respeito ao próximo em cada pessoa
Tem tranqüilidade no atacado
Tem uma dose de amnésia no bar mais próximo
Tem amor à vontade
Tem famílias unidas
Pra gente conviver
E quanto eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou rei -
Tenho a alma que quero
No corpo que quero
Vou-me embora para Pasárgada.
Bjomeliga, Manuel Bandeira.
1 comentário:
adorei,gata!
sério!to precisando de uma passagem,sem volta,pra sua pasárgada
"E como terei saúde
Andarei de bicicleta
Fumarei
(e terei cura para o câncer de pulmão)
Livrar-me-ei dos meus males interiores"
;~~
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