quinta-feira, 9 de abril de 2009

Eu sou mar


Acalmei. Acalmei, acalmei.
Depois da tempestade, vem a calmaria. O céu ainda está nebuloso e acinzentado, mas aqui nas minhas águas, a razão volta a se banhar.
Antes a correnteza era tanta que nem mesmo eu me salvava. Principalmente eu. A tempestade me afogava, asfixiava...
Passou o pior. Vc sente isso? Chegue mais perto. Entre na praia... vc sente o cheiro de maresia mansa? Olha como a areia está leve. Antes ela era areia movediça, engolia tudo e todos que quisessem chegar perto.
Entra um pouco mais no mar, ele está tão morno! Vc nota que a maré está baixa? Que o Sol tem que disputar com a Lua pelo controle?
Se vc for mais fundo, pro mar aberto, eu posso jurar que lá estará tudo calmo, deserto. O tufão já passou, morreu, esgotou. Agora só sobrou a calmaria.
A ressaca pode começar a qualquer momento, mas o que importa é esse momento racional. O que importa é que começou a chuviscar, finalmente o Sol perdeu seu poder sobre o mar, e se pôs no horizonte da minha alma. Se ele vai nascer de novo amanhã, eu não sei. Aqui não é ciclo natural. Se é eclipse, não sei te explicar também.. Eu estava de olhos fechados, tudo ocorreu com rapidez e intensidade incríveis!
E faz diferença? O que importa é que o Sol sumiu, oras!
O que eu quero mesmo é aproveitar essa razão, essa escuridão fria e molhada, mas de forma alguma triste!
A noite é calma, fácil. O dia, sim, é difícil. Sorte que acabou o verão aqui na minha alma, começou o outono e nela não tem aquecimento global algum...! (eu espero). Os dias ensolarados vão ficar desaparecidos por enquanto.
O meu medo é que da mesma forma que não há aquecimento global, pode não haver nada!, regularidade alguma! Não existe uma previsão do que vai ocorrer...
O melhor a fazer é aproveitar essa noite chuvosa...

3 comentários:

Géssica disse...

Cara amor, vai escrever um livro! Vc escreve tão bem.

Karol disse...

depois da tempestade sempre há a calmaria,sempre há.
estou no meio de uma tempestade com direito a tufões e trombas d'água.
ainda bem que eu tenho um barquinho.

se joga nesse mar,gata.

alana. disse...

que foto linda. o texto também, senti que ele era o mar, me tragando, quando ele dizia: vá, entre. eu me sentia entrando no mar. Mas toma cuidado, você garante que o mar aberto está tranquilo, mas ele pode ser muito traiçoeiro. Eu, você, não teria tanta certeza. Você sabe nadar? Eu não sei. Sei boiar, eu bóio.

Não acredite nas previsões do tempo. Assim como as do coração, elas quase nunca estão certas...