
A vida se acha muito engraçada e malandra.
Ela te deixa desejando por muito tempo, várias coisas.., muitas delas contraditórias..
E então ela vai lá, faz sua mágica, e você tem tudo que você desejava, despejado em você: "Tó, segura aí".
E você tem que decidir. Muitas das coisas você não quer mais, você se conformou e deixou isso pra trás. Às vezes você se conformou de maneira irremediável. E agora? O que você faz com isso que está no seu colo? Joga fora? Você um dia desejou tanto aquilo! Você tem o que um dia foi um sonho seu ali, nos seus braços, dizendo: Pronto, cá estou. Abrace-me.
O que fazer com ele?
Abandoná-lo no primeiro orfanato de sonhos que achar? Mas não existe isso.
Vendê-lo? Mas vender um sonho deveria ser um crime. É vender um pedaço de ti! Não sou tão masoquista. Já perdi muito de mim pela vida. Sou cacos colados recentemente uns nos outros, que não se encaixam direito de tanto serem quebrados e consertados. Eles estão secando ao sol ainda. Não pretendo mexer ali, correr o risco de quebrar tudo de novo.
E aqueles sonhos mal explicados pra vida? Que você achou ter deixado bem claro quando os desejou, e a vida acha uma brecha na sua explicação, uma pequeníssima falha. "Parabéns, você conseguiu realizar este sonho". Mas este não era meu sonho!. "Não? Mas você me pediu isso". Não foi exatamente isso que eu pedi, você me sacaneou! "EI! Ei! Abaixe o tom! Houve um mal entendido! Pois bem, preferia nada a isso? Pelo menos conseguiu um pedaço do seu sonho!". Eu preferia o sonho por inteiro. Este é um meio fracasso, meio sucesso. "Um meio-termo, pois. Aristóteles dizia que se deveria buscar o meio-termo para ser feliz..". Oh, não tente contornar a situação! Você sabe o que eu pedi! Ainda há tempo para consertar!
E então ela some de novo, e você volta a desejar e desejar e desejar, perdido nas decisões e dúvidas.