terça-feira, 18 de maio de 2010

Do you remember that purple sky?


Não era o porto seguro, mas, sim, o barco.
"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar."

Clarice Lispector

1 comentário:

Thiago Cobra disse...

amar-te é como respirar; faço-o sem precisar pensar em fazer... faço porque é da minha natureza, é uma função própria do meu corpo...

na verdade não. amar-te não é como respirar; ficaria alguns segundos, quem sabe minutos, sem respirar, sabendo que iria sobreviver...

qualquer segundo pensando na ausência do seu amor seria um convite a parar de respirar, em definitivo;

portanto amar-te vem antes de respirar; vem antes de pensar; vem antes de mim!

não mais andaria, não mais falaria; não abriria o olho, nem respiraria fora de casa...

amar-te vem antes de acordar pela manhã; de cada piscada de olho, durante cada troca de olhares...

em resumo, não abro mão de seu amor, de seus olhares, por nenhuma porção de oxigênio.

ass. Azul-não-mais-misantropo