quarta-feira, 7 de maio de 2008

Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças


A fuga do real,
ainda mais longe a fuga do feérico,
mais longe de tudo, a fuga de si mesmo,
a fuga da fuga, o exílio
sem água e palavra, a perda
voluntária de amor e memória,
o eco
já não correspondendo ao apelo, e este fundindo-se,
a mão tornando-se enorme e desaparecendo
desfigurada, todos os gestos afinal impossíveis,
senão inúteis,
a desnecessidade do canto, a limpeza
da cor, nem braço a mover-se nem unha crescendo.
Não a morte, contudo.

Carlos Drummond de Andrade - Vida Menor.

1 comentário:

Duuda, disse...

Você sabe que eu amo esse filme né?
E essa foto é muito lôca. Tudo que a gente pode sonhar.. uau.